Tudo o que você precisa saber sobre uma das doenças ginecológicas mais comuns e subdiagnosticadas do mundo
Endometriose é uma doença que afeta milhões de mulheres no mundo inteiro — e ainda assim demora em média 7 a 10 anos para ser diagnosticada. Isso acontece porque seus sintomas são frequentemente confundidos com cólicas normais ou minimizados por anos.
Se você sente dor intensa na menstruação, dor pélvica crônica, dor na relação sexual ou tem dificuldade para engravidar, este artigo foi escrito para você.
Aqui você vai entender o que é a endometriose, como ela é diagnosticada, quais são os tratamentos disponíveis e o que a ciência mais atual recomenda — com base nas diretrizes da FIGO, FEBRASGO, ESHRE (European Society of Human Reproduction and Embryology) e ACOG.
Conheça o Dr. Stéfano Adorno

Dr. Stéfano Adorno — ginecologista especialista em cirurgia minimamente invasiva e implantes hormonais
O Dr. Stéfano Adorno é ginecologista especialista em endometriose, cirurgia minimamente invasiva (laparoscopia e histeroscopia) e em implantes hormonais (silástico e pellet).
Atende em Manaus (AM) e no interior do Amazonas, com foco em oferecer cuidado ginecológico de excelência, baseado em evidências científicas e com atenção individualizada a cada paciente.
CRM-AM 7447 • RQE 4424 (Ginecologia) • RQE 4521 (Cirurgia Ginecológica)
1. O Que é Endometriose?
A endometriose é uma doença crônica, inflamatória e estrogênio-dependente, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio (revestimento interno do útero) fora da cavidade uterina.
Esse tecido pode se implantar em diversas estruturas:
- Ovários (formando os chamados endometriomas ou ‘cistos de chocolate’)
- Trompas de Falópio
- Peritônio pélvico (revestimento da pelve)
- Ligamentos uterossacros
- Bexiga e ureter (endometriose urológica)
- Intestino e reto (endometriose intestinal — forma mais grave)
- Raramente: cicatriz cirúrgica, pulmão, diafragma
Assim como o endométrio normal, esse tecido responde aos hormônios do ciclo menstrual — cresce, descama e sangra. Mas, como não tem por onde sair, provoca inflamação, aderências e dor.
Segundo a ESHRE, a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva — aproximadamente 190 milhões de pessoas no mundo.

Ilustração artística do sistema reprodutor feminino — endometriose afeta 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva
2. Quais São os Sintomas da Endometriose?
Os sintomas variam muito de mulher para mulher. Algumas têm dor intensa e incapacitante; outras têm endometriose grave e poucas queixas. Essa variabilidade é uma das razões para o diagnóstico tardio.
Os principais sintomas são:

Endometriose Awareness — a doença afeta cerca de 190 milhões de mulheres no mundo
Dor Pélvica Crônica
É o sintoma mais comum. A dor pode ser contínua ou cíclica, localizada na pelve, no baixo ventre ou irradiar para as costas e coxas.
Dismenorreia Intensa (Cólica Menstrual Forte)
A cólica menstrual incapacitante — que impede atividades do dia a dia, causa faltas no trabalho ou na escola — é um sinal de alerta importante. Cólica intensa não é normal e deve ser investigada.
Dispareunia (Dor na Relação Sexual)
Dor durante ou após a relação sexual, especialmente com penetração profunda, é um sintoma frequente na endometriose — especialmente quando há acometimento dos ligamentos uterossacros ou do fundo de saco.
Disquezia (Dor ao Evacuar)
Dor ao evacuar, especialmente durante a menstruação, pode indicar endometriose intestinal — uma das formas mais graves e subdiagnosticadas da doença.
Disúria (Dor ao Urinar)
Dor ou ardência ao urinar durante a menstruação pode indicar endometriose vesical ou ureteral. Frequentemente confundida com infecção urinária.
Infertilidade
A endometriose é encontrada em 30 a 50% das mulheres com infertilidade. Ela compromete a fertilidade por diferentes mecanismos: inflamação pélvica, aderências nas trompas, dano à reserva ovariana pelos endometriomas e alterações no ambiente uterino.
Sangramento Uterino Anormal
Sangramento fora do período menstrual, fluxo muito intenso (menorragia) ou sangramento entre ciclos podem estar associados à endometriose, especialmente quando há acometimento da cavidade uterina.

Dor pélvica incapacitante é um dos principais sintomas da endometriose — cólica intensa não é normal
3. Quais São as Causas da Endometriose?
A causa exata da endometriose ainda não é completamente compreendida. A doença tem origem multifatorial — envolvendo fatores genéticos, imunológicos e hormonais. As principais teorias são:
Menstruação Retrógrada (Teoria de Sampson)
A teoria mais aceita. Durante a menstruação, parte do sangue flui de volta pelas trompas para a pelve, carregando células endometriais que se implantam e proliferam fora do útero. Como a menstruação retrógrada ocorre em 90% das mulheres e apenas 10% desenvolvem endometriose, fatores imunológicos e genéticos podem ser determinantes para quem adoece.
Metaplasia Celômica
Células do peritônio sofrem transformação espontânea e passam a se comportar como endométrio. Explica casos de endometriose em locais incomuns como pulmão e diafragma.
Disfunção Imunológica
Em mulheres saudáveis, o sistema imune elimina células endometriais na pelve. Em mulheres com endometriose, esse mecanismo falha. Pesquisas relacionam a doença a alterações em células NK, macrófagos e citocinas inflamatórias.
Fatores Genéticos e Epigenéticos
Forte componente hereditário — filhas e irmãs têm risco 5 a 7 vezes maior. Estudos identificaram variantes genéticas associadas. Alterações epigenéticas na expressão dos genes também contribuem para o desenvolvimento e progressão da doença.
4. Quem Tem Maior Risco de Desenvolver Endometriose?
Qualquer mulher em idade reprodutiva pode ter endometriose. Mas certos fatores aumentam a predisposição. Conhecê-los ajuda a reconhecer os sintomas mais cedo e buscar diagnóstico antes dos anos de sofrimento desnecessário.
- Histórico familiar: mãe, irmã ou filha com endometriose eleva o risco em 5 a 7 vezes;
- Menarca precoce: início da menstruação antes dos 11 anos aumenta o tempo de exposição ao estrogênio;
- Ciclos curtos e fluxo intenso: ciclos menstruais menores de 27 dias e menstruação volumosa favorecem a menstruação retrógrada;
- Nunca ter engravidado: a gravidez suprime temporariamente a doença; mulheres nuligestas têm risco elevado;
- Malformações uterinas: obstruções que dificultam o fluxo menstrual normal favorecem o refluxo tubário;
- Exposição a disruptores endócrinos: substâncias como dioxinas e BPA (em plásticos) são investigadas como fatores ambientais;
Ter fatores de risco não significa que você vai desenvolver a doença. Mas se você se enquadra em vários e tem sintomas como cólica intensa ou dor pélvica crônica, a avaliação ginecológica é essencial.
6. Como é Feito o Diagnóstico da Endometriose?
O diagnóstico da endometriose é um dos maiores desafios da ginecologia. Não existe um exame de sangue simples que confirme a doença — o diagnóstico é clínico, complementado por exames de imagem e, em muitos casos, confirmado cirurgicamente.
Anamnese e Exame Clínico
Tudo começa com uma consulta detalhada. O médico investiga o padrão de dor, a história menstrual, a vida sexual, o histórico familiar e o impacto dos sintomas na qualidade de vida.
O exame físico ginecológico — toque vaginal e especular — pode revelar nódulos dolorosos, útero retrovertido fixo ou espessamento dos ligamentos uterossacros, sugestivos de endometriose profunda.
Ultrassonografia Transvaginal com Preparo Intestinal (mapeamento)
É o exame de imagem de primeira linha. Quando realizado por profissional experiente e com preparo intestinal, a ultrassonografia transvaginal tem alta sensibilidade para detectar:
- Endometriomas ovarianos (cistos de chocolate) — saiba mais sobre endometrioma ovariano: sintomas, diagnóstico e tratamento;
- Endometriose vesical;
- Endometriose intestinal (retossigmoide);
- Nódulos de endometriose profunda;

Ultrassonografia transvaginal mostrando endometrioma ovariano (cisto de chocolate)
Ressonância Magnética (RM)
A RM da pelve é especialmente útil para mapear a endometriose profunda — avaliando o acometimento intestinal, ureteral e de estruturas profundas da pelve. Auxilia no planejamento cirúrgico.
Videolaparoscopia Diagnóstica
O padrão-ouro para o diagnóstico definitivo da endometriose ainda é a videolaparoscopia com biópsia das lesões. Permite visualização direta dos implantes e confirmação histológica.
No entanto, as diretrizes atuais da ESHRE (2022) recomendam que o tratamento empírico pode ser iniciado com base no quadro clínico e nos exames de imagem, sem necessidade obrigatória de cirurgia diagnóstica para todos os casos.
Se você teve diagnóstico de endometriose e está avaliando opções de tratamento cirúrgico, veja nossas 7 dicas para uma boa cirurgia.

Modelo anatômico com endometrioma ovariano — cisto de chocolate formado pelo tecido endometriótico
8. Classificação da Endometriose
A endometriose é classificada em estágios pela American Society for Reproductive Medicine (ASRM), de I a IV, conforme a extensão e profundidade das lesões:
- Estágio I — Mínima: lesões superficiais isoladas, sem aderências;
- Estágio II — Leve: lesões superficiais e profundas na pelve;
- Estágio III — Moderada: endometriomas ovarianos, aderências peritubárias e periovarianas;
- Estágio IV — Grave: endometriomas volumosos, aderências densas, acometimento intestinal ou ureteral;
IMPORTANTE: o estágio não se correlaciona com a intensidade da dor. Uma paciente com endometriose estágio I pode ter dor incapacitante, enquanto outra com estágio IV pode ter poucos sintomas.
A endometriose profunda — que infiltra mais de 5mm abaixo do peritônio — é considerada a forma mais complexa e exige equipe multidisciplinar para tratamento.
9. Endometriose Profunda: O Que É e Como Tratar?
A endometriose infiltrativa profunda (EIP) é definida quando as lesões penetram mais de 5mm abaixo da superfície peritoneal. É a forma mais grave e complexa da doença, representando cerca de 20% dos casos de endometriose.

Endometriose peritoneal visualizada por laparoscopia — lesões características no peritônio pélvico
Pode acometer estruturas como os ligamentos uterossacros, fundo de saco de Douglas, reto, sigmoide, bexiga e ureter. Quando atinge o intestino, pode causar dor ao evacuar, sangramento retal durante a menstruação e até obstrução intestinal nos casos mais avançados.
Como é Diagnosticada?
O diagnóstico exige um conjunto de ferramentas especializadas. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, realizada por profissional treinado, é o principal método de triagem. A ressonância magnética da pelve complementa o mapeamento das lesões e é indispensável para o planejamento cirúrgico.
Como é Tratada?
O tratamento da endometriose profunda é um dos mais desafiadores da ginecologia. O tratamento clínico (hormônios, dienogeste, análogos do GnRH) pode controlar a dor e frear a progressão. Nos casos refratários ou com comprometimento de órgãos, a cirurgia laparoscópica avançada é indicada — podendo incluir ressecção intestinal, ureterolise e outros procedimentos complexos que exigem equipe multidisciplinar (ginecologista, coloproctologista e urologista).
A experiência do cirurgião é o fator mais determinante para o sucesso do tratamento. Centros especializados em endometriose profunda oferecem os melhores resultados em termos de controle da dor, preservação de órgãos e manutenção da fertilidade.

Endometriose peritoneal com aderências — aspecto laparoscópico da doença profunda
10. Qual a Diferença Entre Endometriose e Adenomiose?
Endometriose e adenomiose são doenças relacionadas, mas distintas. É comum que as duas ocorram na mesma paciente — o que pode intensificar os sintomas e dificultar o diagnóstico.
Endometriose
Tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero — em ovários, trompas, peritônio, intestino, bexiga. Afeta principalmente mulheres jovens e em idade reprodutiva. Está fortemente associada à dor pélvica crônica e à infertilidade.

Endometriose: tecido endometrial fora do útero — ovários, trompas, ligamentos, bexiga e reto
Adenomiose
Tecido endometrial invade a musculatura do útero (miométrio) — ou seja, o endométrio cresce para dentro da parede uterina. Causa útero aumentado, sangramento intenso, cólicas fortes e dor pélvica crônica. É mais comum em mulheres após os 35 anos e em multíparas.

Adenomiose: tecido endometrial infiltrando a musculatura do útero (miométrio)
Principais Diferenças
- Localização: endometriose é extrauterina; adenomiose é intrauterina (miométrio);
- Diagnóstico: adenomiose é diagnosticada por ultrassom e ressonância, sem necessidade de cirurgia; endometriose pode exigir laparoscopia;
- Tratamento: ambas respondem a tratamento hormonal; o DIU hormonal (Mirena) é uma das melhores opções para adenomiose; a adenomiose difusa grave pode indicar histerectomia;
- Ocorrência conjunta: estima-se que 20 a 35% das mulheres com endometriose também têm adenomiose — o que intensifica os sintomas e requer abordagem terapêutica combinada;
Se você tem sangramento intenso, útero aumentado ao exame e cólica grave, converse com seu ginecologista sobre a possibilidade de adenomiose associada. O diagnóstico correto muda o tratamento.
11. Endometriose Tem Cura?
Esta é uma das perguntas mais buscadas sobre a doença. A resposta honesta: não existe cura definitiva para a endometriose, mas existem tratamentos eficazes que controlam os sintomas, melhoram a qualidade de vida e preservam a fertilidade.

A endometriose é uma doença crônica — sem cura definitiva, mas com tratamentos eficazes
A doença é crônica e tende a recorrer após o tratamento — especialmente se a paciente não estiver em uso de supressão hormonal. A menopausa natural geralmente leva à regressão das lesões.
O objetivo do tratamento é:
- Controlar a dor;
- Preservar ou restaurar a fertilidade quando desejado;
- Melhorar a qualidade de vida;
- Prevenir a progressão da doença e dano a órgãos;
12. Tratamento da Endometriose: Quais São as Opções?
O tratamento é individualizado — depende da idade, dos sintomas, do desejo de gravidez e da extensão da doença. As opções se dividem em:
Tratamento Clínico (Medicamentoso)
É a primeira linha de tratamento na maioria dos casos. Tem como objetivo suprimir a atividade estrogênica e reduzir a inflamação.
- Anticoncepcionais hormonais combinados (pílulas, adesivo, anel vaginal): reduzem o fluxo menstrual e a dor;
- Progestogênios (progesterona isolada): induzem atrofia do tecido endometriótico. Incluem pílulas, DIU hormonal (Mirena) e implante subdérmico (silástico);
- Análogos do GnRH: induzem menopausa temporária, com forte supressão da doença. Usados em casos graves, por tempo limitado;
- Dienogeste: progestogênio com ação específica sobre o endométrio — uma das principais opções atuais, com forte evidência científica;
- AINEs (anti-inflamatórios): auxiliam no controle da dor aguda durante a menstruação;
O implante hormonal subdérmico (silástico) tem se mostrado uma excelente opção para pacientes com endometriose, oferecendo supressão contínua e evitando o esquecimento da pílula diária. Converse com seu médico sobre essa possibilidade.

DIU hormonal (levonorgestrel) — uma das opções mais eficazes no tratamento clínico da endometriose
Tratamento Cirúrgico
Indicado quando o tratamento clínico é insuficiente, quando há endometriomas volumosos, endometriose profunda com acometimento intestinal ou ureteral, ou em casos de infertilidade.
A videolaparoscopia é a via preferencial — técnica minimamente invasiva, com menor risco de complicações e recuperação mais rápida em relação à laparotomia.
Os procedimentos cirúrgicos incluem:
- Excisão das lesões endometrióticas (excisão profunda);
- Cistectomia ovariana (retirada do endometrioma preservando o ovário);
- Salpingo-ooforectomia (em casos selecionados, com doença ovariana grave e sem desejo reprodutivo);
- Shaving, ressecção discoide ou ressecção intestinal segmentar (endometriose intestinal profunda — exige equipe multidisciplinar);
- Histerectomia (retirada do útero — opção para casos graves sem desejo de gestação, quando a endometriose está associado a adenomiose);
A cirurgia da endometriose profunda é uma das mais complexas da ginecologia. A experiência do cirurgião é determinante para o resultado. Saiba mais sobre endometriose infiltrativa profunda: o que é e como tratar. Veja também como escolher um bom médico para sua cirurgia.

Ilustração da videolaparoscopia ginecológica — técnica minimamente invasiva para tratamento da endometriose

Cirurgia robótica (sistema Da Vinci) — tecnologia de ponta disponível para casos complexos de endometriose profunda
Histeroscopia na Endometriose
A histeroscopia tem papel importante na investigação da cavidade uterina em pacientes com endometriose e infertilidade — avaliando adenomiose, pólipos, aderências e o endométrio antes de tentativas de reprodução assistida. Saiba mais sobre a histeroscopia.
13. Endometriose e Gravidez: É Possível Engravidar?
Sim — muitas mulheres com endometriose conseguem engravidar, seja naturalmente ou com apoio de reprodução assistida.
A relação entre endometriose e fertilidade é complexa. A doença pode comprometer a fertilidade por:
- Distorção anatômica das trompas por aderências;
- Comprometimento da reserva ovariana pelos endometriomas;
- Inflamação crônica que prejudica a qualidade dos óvulos e o ambiente uterino;
- Alterações na receptividade endometrial que dificultam a implantação embrionária;
- Fatores imunológicos — respostas imunes desreguladas que interferem na fixação do embrião;
Mulheres com endometriose mínima ou leve (estágios I e II) têm uma chance razoável de engravidar sem intervenção. Já nos estágios III e IV, a fertilidade pode estar mais comprometida e o suporte especializado é essencial.
O tratamento cirúrgico das lesões pode melhorar significativamente as chances de gravidez — especialmente a remoção de endometriomas e a liberação de aderências. Em muitos casos, a fertilização in vitro (FIV) é a melhor estratégia.
Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando a idade da paciente, a reserva ovariana, o estágio da doença e o tempo de tentativa. Saiba mais sobre as opções para quem tem endometriose e quer engravidar na Associação Brasileira de Endometriose (SBE). Conheça também a relação entre endometriose e infertilidade.
14. Endometriose e Qualidade de Vida
A endometriose vai muito além da dor física. Seu impacto na qualidade de vida é profundo e muitas vezes subestimado:

A endometriose afeta profundamente a qualidade de vida — física, emocional e social
- Vida profissional: faltas frequentes, dificuldade de concentração, perda de produtividade;
- Vida sexual: dor na relação afeta a intimidade e o relacionamento;
- Saúde mental: ansiedade, depressão e isolamento social são comuns — especialmente em pacientes com diagnóstico tardio. O sentimento de frustração e solidão é amplificado pelo longo período sem diagnóstico;
- Vida social: limitação de atividades físicas e sociais durante os períodos de dor;
- Autoestima: o impacto na imagem corporal, na sexualidade e na fertilidade afeta profundamente a identidade da mulher;
Reconhecer esse impacto é parte fundamental do cuidado. O tratamento da endometriose deve incluir não apenas o controle da dor, mas também o suporte emocional e o acompanhamento multidisciplinar. Saiba mais sobre a relação entre endometriose e saúde mental.
9. Quanto Tempo Demora o Diagnóstico da Endometriose?
Estudos internacionais mostram que o tempo médio entre o início dos sintomas e o diagnóstico da endometriose é de 7 a 10 anos — um dado alarmante.
As principais razões para esse atraso são:
- Normalização da dor: a cólica intensa é frequentemente tratada como algo “normal” pela paciente, pela família e até por profissionais de saúde;
- Falta de exames específicos: não há um marcador laboratorial diagnóstico definitivo;
- Variabilidade de sintomas: a doença se apresenta de formas muito diferentes em cada paciente;
- Diagnóstico diferencial amplo: síndrome do intestino irritável, cistite intersticial e outras condições mimetizam os sintomas;
CÓLICA QUE INCAPACITA NÃO É NORMAL. Se você ou alguém próximo apresenta dor menstrual intensa, não ignore. Procure um ginecologista especializado.
10. Endometriose Tem Relação com Câncer?
Esta é uma preocupação comum entre as pacientes. A resposta é:
A endometriose NÃO é câncer e, na grande maioria dos casos, NÃO evolui para câncer. É uma DOENÇA BENIGNA.
No entanto, estudos mostram que pacientes com endometriose têm um risco levemente aumentado de desenvolver alguns tipos específicos de câncer ovariano — particularmente o carcinoma de células claras e o carcinoma endometrioide. Esse risco absoluto permanece baixo.
O acompanhamento regular com seu ginecologista é essencial para monitoramento adequado. Além disso, pesquisas recentes mostram que a endometriose também pode estar associada a doenças autoimunes e impactar a saúde cardiovascular — mais razões para o cuidado integral e contínuo.
11. Qual o Custo do Tratamento da Endometriose?
O custo varia conforme o tipo de tratamento escolhido:
- Tratamento clínico (medicamentos): geralmente coberto pelos planos de saúde. Pílulas e progestogênios têm custo acessível; análogos do GnRH e dienogeste são mais caros, mas com cobertura na maioria dos planos
- Cirurgia laparoscópica: coberta pelos planos de saúde quando há indicação médica formal, de acordo com o Rol da ANS
- Reprodução assistida (FIV): cobertura varia conforme o plano — verifique com sua operadora
- Particular: consulte um consultório ESPECIALIZADO em endometriose para informações atualizadas sobre valores
16. Dieta, Exercício e Estilo de Vida na Endometriose
Embora não existam evidências científicas suficientes para afirmar que a dieta cura a endometriose, estudos recentes mostram que hábitos saudáveis podem reduzir a inflamação, aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida.
Atividade Física
Um estudo da Universidade do Cairo demonstrou que exercícios físicos regulares reduzem significativamente a dor pélvica associada à endometriose. A atividade física age reduzindo marcadores inflamatórios, melhorando a postura e quebrando o ciclo de dor crônica. Saiba mais sobre como os exercícios reduzem a dor da endometriose.
Modalidades recomendadas:
- Caminhada, natação e ciclismo: atividades aeróbicas de impacto moderado;
- Pilates e yoga: melhoram a consciência corporal e reduzem o estresse;
- Alongamento e fortalecimento do core: auxiliam na estabilidade pélvica e redução da dor;

Exercícios físicos regulares reduzem marcadores inflamatórios e auxiliam no controle da dor na endometriose
Dieta Anti-inflamatória
A alimentação pode ser uma aliada importante no manejo da endometriose. Veja o que a literatura aponta como possivelmente benéfico — e saiba mais sobre a endometriose e dieta anti-inflamatória:
- Alimentos anti-inflamatórios: peixes ricos em ômega-3, azeite de oliva extravirgem, frutas vermelhas, cúrcuma e gengibre
- Vegetais crucíferos: brócolis, couve-flor e couve — auxiliam no metabolismo do estrogênio
- Redução de carnes vermelhas e processados: associados a maior inflamação sistêmica e maiores níveis de estrogênio
- Redução de açúcar refinado e álcool: potencializam a inflamação
Sempre converse com seu médico antes de fazer mudanças significativas na dieta, especialmente em uso de hormônios ou com doença intestinal associada.

Dieta anti-inflamatória: salmão, azeite, frutas vermelhas, cúrcuma e gengibre são aliados no manejo da endometriose.
Perguntas Frequentes sobre Endometriose
Reunimos as dúvidas mais buscadas no Google sobre endometriose. Se a sua não estiver aqui, entre em contato com o consultório.
Endometriose tem cura?
Não existe cura definitiva. Mas com tratamento adequado — clínico ou cirúrgico — é possível controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e preservar a fertilidade. A menopausa natural leva à regressão da doença.
Endometriose dói sempre?
Não necessariamente. Algumas mulheres têm endometriose grave com poucos sintomas. Outras têm dor intensa com doença leve. A intensidade da dor não reflete o estágio da doença.
Endometriose aparece no ultrassom?
Depende. Endometriomas ovarianos e endometriose intestinal podem ser detectados por ultrassonografia transvaginal experiente. Lesões superficiais do peritônio geralmente não aparecem no ultrassom — exigem laparoscopia para diagnóstico.
Endometriose engorda?
A endometriose em si não causa ganho de peso diretamente. Alguns medicamentos hormonais usados no tratamento — especialmente os progestogênios — podem causar retenção hídrica ou aumento de apetite. Converse com seu médico sobre o melhor tratamento para o seu caso.
Endometriose tem sintomas fora da menstruação?
Sim. Dor pélvica crônica, dor na relação sexual, dor ao evacuar e dor ao urinar podem ocorrer fora do período menstrual, especialmente nas formas mais graves da doença.
Endometriose causa sangramento fora da menstruação?
Pode sim. Sangramento intermenstrual, spotting e fluxo muito intenso são sintomas possíveis. Principalmente na adenomiose. Se você nota sangramento fora do padrão normal, procure seu ginecologista. Também pode ser indicação para histeroscopia diagnóstica.
Endometriose e DIU: posso usar?
Sim. O DIU hormonal (levonorgestrel — Mirena) é uma das opções mais eficazes no tratamento clínico da endometriose. Reduz o fluxo menstrual, alivia a dor e suprime o tecido endometriótico. Saiba mais sobre o DIU.
Já o DIU de cobre é contraindicado devido aumentar as dores pélvicas e/ou os sangramentos menstruais, levando ainda mais a piora da qualidade de vida.
Endometriose é hereditária?
Sim, existe um componente genético. Filhas e irmãs de mulheres com endometriose têm risco 5 a 7 vezes maior de desenvolver a doença. Histórico familiar é um fator de alerta importante.
Toda mulher com endometriose não pode engravidar?
Não. Esse é um dos maiores mitos sobre a doença. Muitas mulheres com endometriose engravidam naturalmente. A doença pode dificultar a concepção — especialmente nos estágios mais avançados — mas não significa infertilidade absoluta. Estima-se que 30 a 50% das pacientes com endometriose têm dificuldade para engravidar, mas isso também significa que a outra metade consegue sem tratamento específico. Com o suporte adequado, seja clínico, cirúrgico ou por reprodução assistida, as chances de gravidez são significativas.
Toda mulher com endometriose precisa fazer cirurgia?
Não. A cirurgia não é obrigatória para todas as pacientes. Muitos casos são tratados com sucesso com medicamentos hormonais — pílulas, progestogênios, DIU hormonal ou implante subdérmico. A cirurgia é indicada quando o tratamento clínico não controla os sintomas adequadamente, quando há endometriomas volumosos, endometriose profunda com risco de lesão em órgãos, ou em casos de infertilidade que não respondem ao tratamento clínico. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Endometriose pode virar câncer?
A endometriose não é câncer e, na grande maioria dos casos, não evolui para câncer. Trata-se de uma doença benigna. No entanto, estudos mostram que mulheres com endometriose têm um risco levemente aumentado de desenvolver alguns tipos raros de câncer ovariano — principalmente o carcinoma de células claras e o carcinoma endometrioide — com incidência estimada em torno de 3%. Esse risco absoluto é baixo, mas reforça a importância do acompanhamento ginecológico regular.
Qual a idade mais comum para ter endometriose?
A endometriose pode surgir a partir da primeira menstruação (menarca) e afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva — entre 25 e 40 anos. Na menopausa, a doença geralmente regride devido à queda estrogênica. Adolescentes com cólica intensa desde as primeiras menstruações também devem ser investigadas.
Endometriose some depois da gravidez?
A gravidez promove uma supressão temporária da endometriose — a ausência de menstruação e o aumento de progesterona inibem as lesões. Em alguns casos, os sintomas melhoram após a gestação. No entanto, isso não é cura: a doença tende a retornar após o restabelecimento do ciclo menstrual.
A retirada do útero cura a endometriose?
A histerectomia (retirada do útero) não garante a cura da endometriose, especialmente se os ovários forem mantidos — pois eles continuam produzindo estrogênio, que alimenta as lesões.
A remoção simultânea dos ovários (ooforectomia bilateral) leva à regressão da doença, mas causa menopausa cirúrgica e tem consequências importantes para a saúde da mulher. Por isso, essa decisão deve ser cuidadosamente individualizada com um especialista.
No caso da adenomiose isolada, a histerectomia pode sim ser curativa — já que o problema está restrito à parede do útero. Porém, quando adenomiose e endometriose coexistem, a retirada do útero resolve apenas parte do quadro — as lesões endometrióticas fora do útero permanecem e continuam causando sintomas.
Endometriose afeta a adolescente?
Sim. A endometriose pode começar ainda na adolescência, logo após as primeiras menstruações. Cólica incapacitante na adolescência — que impede a jovem de ir à escola, praticar atividades ou exige uso frequente de analgésicos — é um sinal de alerta que não deve ser ignorado. O diagnóstico precoce faz grande diferença no prognóstico da doença.
Conclusão
A endometriose é uma doença séria, complexa e ainda subdiagnosticada. Mas com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível viver bem e — quando desejado — engravidar.
Se você tem dor menstrual intensa, dor pélvica crônica ou dificuldade para engravidar, não normalize esses sintomas. Procure um ginecologista especializado e exija uma investigação adequada.
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- O que faz um ginecologista
- Histeroscopia: o que é e para que serve
- Saiba tudo sobre o DIU
- Como escolher um bom médico
- 7 dicas para uma boa cirurgia
- Endometriose: causas, sintomas e tratamentos — SBE

Referências
• ESHRE Endometriosis Guideline Development Group. Endometriosis. European Society of Human Reproduction and Embryology, 2022. Disponível em: https://www.eshre.eu
• FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Endometriose: Protocolo Assistencial, 2021.
• American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Practice Bulletin: Endometriosis. Obstet Gynecol, 2022.
• Zondervan KT, et al. Endometriosis. N Engl J Med. 2020;382(13):1244-1256.
• World Health Organization (WHO). Endometriosis Fact Sheet, 2023. Disponível em: https://www.who.int