Entenda o que são, como funcionam, suas indicações, diferenças e o que a ciência atual diz sobre os implantes hormonais
O implante hormonal tornou-se um dos temas mais procurados na ginecologia moderna. Cada vez mais mulheres buscam métodos práticos e de longa duração — seja para contracepção, controle de sintomas hormonais ou melhora da qualidade de vida.
Mas existe muita informação desencontrada sobre o assunto. Há diferentes tipos de implante — o silástico e o pellet — com finalidades, composições e respaldo científico distintos.
Neste guia completo, você vai entender o que são, como funcionam, suas indicações e diferenças — sempre com base em evidências científicas atuais e nas posições das principais sociedades médicas, como FEBRASGO, OMS, Endocrine Society e ACOG.
Conheça o Dr. Stéfano Adorno

Dr. Stéfano Adorno — ginecologista especialista em implantes hormonais (silástico e pellet)
O Dr. Stéfano Adorno é ginecologista especialista em implantes hormonais (silástico e pellet), contracepção e cirurgia minimamente invasiva. Atende em Manaus (AM) e no interior do Amazonas, com cuidado individualizado e baseado em evidências científicas.
CRM-AM 7447 • RQE 4424 (Ginecologia) • RQE 4521 (Cirurgia Ginecológica)
1. O Que é um Implante Hormonal?
O implante hormonal é um pequeno dispositivo inserido sob a pele (via subdérmica ou subcutânea), que libera hormônios de forma gradual e contínua ao longo do tempo.
A grande vantagem desse método é a liberação sustentada: em vez de picos diários como acontece com a pílula, o implante mantém níveis hormonais mais estáveis, com a comodidade de não exigir uso diário.
Existem dois grandes tipos de implante hormonal, que não devem ser confundidos:
- Implante silástico: cápsula ou bastão de silicone que libera o hormônio e é removível;
- Pellet: pequeno bastonete sólido, totalmente absorvível, que se dissolve no organismo;
Cada um tem indicações, composições e níveis de evidência científica diferentes — como veremos a seguir.
2. Implante Silástico: O Que É?
O implante silástico é um dispositivo de silicone (material biologicamente inerte e seguro para o organismo) que contém o princípio ativo hormonal. Esse hormônio é liberado de forma gradual e direta para a corrente sanguínea.
Sua principal característica é ser removível a qualquer momento. Caso haja sensibilidade ao hormônio, efeitos indesejados ou desejo de interromper o tratamento, o implante pode ser retirado no consultório, de forma rápida e simples.
O Implante Contraceptivo (Implanon)
O exemplo mais conhecido e com maior respaldo científico é o implante contraceptivo subdérmico implanon.
Trata-se de um bastão flexível de aproximadamente 4 cm, inserido sob a pele do braço. Ele é um método LARC (contracepção reversível de longa duração) — uma das categorias mais eficazes e recomendadas pela OMS e FEBRASGO.
Características do implanon:
- Eficácia: superior a 99% — um dos métodos contraceptivos mais eficazes que existem;
- Duração: 3 anos (estudos recentes sugerem eficácia de até 4 a 5 anos);
- Mecanismo: inibe a ovulação, espessa o muco cervical e altera o endométrio;
- Reversibilidade: a fertilidade retorna rapidamente após a remoção;
- Vantagem: não contém estrogênio — pode ser usado por mulheres que amamentam e por quem tem contraindicação ao estrogênio;
Esse implante é registrado na ANVISA e no FDA, com ampla base de estudos clínicos randomizados comprovando sua segurança e eficácia.

Implante contraceptivo subdérmico Implanon — bastão flexível inserido no braço
Implantes Silásticos Manipulados
Além do Implanon industrializado, existem implantes silásticos manipulados em farmácias especializadas, que podem conter diferentes hormônios — como gestrinona, testosterona ou estradiol — conforme prescrição médica individualizada.
Esses implantes são utilizados para finalidades além da contracepção, como o controle de sintomas do climatério, endometriose e reposição hormonal. É importante destacar que a evidência científica para algumas dessas indicações ainda está em desenvolvimento, e a prescrição deve ser sempre individualizada e criteriosa.

Implantes silásticos manipulados — cápsulas de silicone com diferentes composições hormonais
3. Pellet Hormonal: O Que É?
O pellet é um pequeno bastonete cilíndrico e sólido, composto por hormônios comprimidos. Diferente do silástico, ele é totalmente absorvível — ou seja, dissolve-se completamente no local da implantação, sem necessidade de remoção.
É inserido no tecido subcutâneo, geralmente na região do glúteo ou quadril, por meio de um pequeno procedimento com anestesia local.

Pellet hormonal sendo inserido com trocarte — bastonete sólido totalmente absorvível

Local de inserção do pellet — região do glúteo/quadril, no tecido subcutâneo
Os pellets mais utilizados contêm testosterona ou estradiol, e às vezes gestrinona, sendo empregados principalmente para:
- Reposição hormonal no climatério e menopausa;
- Tratamento do desejo sexual hipoativo (libido) em mulheres;
- Sintomas associados à deficiência androgênica;
O Que a Ciência Diz Sobre os Pellets
Aqui é fundamental ser transparente. Os pellets hormonais — especialmente os manipulados — têm sido objeto de debate científico intenso.
Por um lado, estudos observacionais e a experiência clínica de décadas (iniciada pelo Prof. Dr. Elsimar Coutinho, pioneiro mundial dos implantes hormonais) relatam melhora de sintomas como libido, disposição e bem-estar em parte das pacientes.
Por outro lado, sociedades médicas como a FEBRASGO e a Endocrine Society alertam que:
- A maioria dos estudos disponíveis é de baixa qualidade ou observacional, sem ensaios clínicos randomizados robustos;
- Os dados sobre farmacocinética (como o hormônio é liberado e metabolizado) dos pellets manipulados ainda são insuficientes;
- Pode haver risco de níveis hormonais suprafisiológicos (acima do normal), com efeitos como acne, queda de cabelo e alterações na voz;
- A dose não pode ser ajustada após a inserção — diferente do silástico, que é removível;
Por isso, o uso de pellets — sobretudo para fins estéticos ou de performance — deve ser visto com cautela e responsabilidade. A indicação precisa ser estritamente médica, individualizada e com acompanhamento rigoroso.
Implante hormonal não deve ser usado para fins puramente estéticos. O acompanhamento médico é indispensável.
4. Silástico x Pellet: Qual a Diferença?
Embora ambos sejam implantes hormonais, silástico e pellet têm diferenças fundamentais:
Implante Silástico
- Material: cápsula de silicone (não absorvível);
- Remoção: removível a qualquer momento;
- Controle de dose: pode ser interrompido se houver efeitos indesejados;
- Maior respaldo: o implante implanon tem ampla evidência científica;
Implante Pellet
- Material: bastonete sólido totalmente absorvível;
- Remoção: não removível — dissolve-se no organismo;
- Controle de dose: não pode ser ajustado após a inserção;
- Evidência: ainda em construção para várias indicações, especialmente manipulados;
A escolha entre um e outro — ou se o implante é mesmo a melhor opção para o seu caso — deve ser feita em conjunto com seu ginecologista, considerando seus objetivos, histórico de saúde e as evidências disponíveis.
5. Quais São as Indicações do Implante Hormonal?
As indicações variam conforme o tipo de implante e o hormônio utilizado. As principais são:
Contracepção
O implanon é uma das melhores opções contraceptivas — especialmente para mulheres que desejam um método de longa duração, eficaz e que não exige uso diário.
Controle de Sintomas Hormonais
Implantes podem ser indicados no manejo de sintomas do climatério e da menopausa, como ondas de calor, alterações de humor e ressecamento vaginal — sempre com avaliação individualizada.
Endometriose e Adenomiose
Alguns implantes hormonais (como os contendo progestogênios) podem auxiliar no controle da dor e na supressão das lesões da endometriose. Saiba mais sobre o tratamento da endometriose.
Reposição de Testosterona em Mulheres
A reposição de testosterona em mulheres com desejo sexual hipoativo (HSDD) é reconhecida pelo Consenso Global sobre Terapia com Testosterona (2019). Contudo, as diretrizes recomendam preferencialmente formulações transdérmicas com dose controlada, e o uso de pellets para esse fim ainda é considerado off-label por várias sociedades.
6. Como é Feita a Inserção do Implante Hormonal?
A inserção do implante hormonal é um procedimento ambulatorial simples, realizado no consultório:
- A região (braço, para o silástico contraceptivo; glúteo/quadril, para pellets) é higienizada e anestesiada localmente;
- O implante é inserido sob a pele com um aplicador específico ou pequena incisão
- O procedimento dura poucos minutos;
- Não há necessidade de pontos na maioria dos casos;

Inserção do implante subdérmico no braço — procedimento ambulatorial rápido e seguro
A recuperação é rápida. Pode haver leve desconforto, hematoma ou sensibilidade no local nos primeiros dias — sintomas que desaparecem espontaneamente.
7. Quais São os Efeitos Colaterais do Implante Hormonal?
Como todo método hormonal, os implantes podem ter efeitos colaterais, que variam conforme o hormônio utilizado:
Implante de Implanon (contraceptivo):
- Alterações no padrão menstrual (sangramento irregular ou ausência de menstruação) — o efeito mais comum;
- Cefaleia, sensibilidade mamária, alterações de humor;
- Ganho de peso (relatado por algumas usuárias);
Implantes de testosterona / pellets:
- Acne e oleosidade da pele;
- Aumento de pelos (hirsutismo);
- Queda de cabelo;
- Em doses elevadas: engrossamento da voz e aumento do clitóris (clitoromegalia);
Por isso, o acompanhamento médico com dosagens hormonais regulares é essencial — especialmente nos implantes de testosterona, para evitar níveis acima do fisiológico.
8. Quem Pode Usar o Implante Hormonal?
A indicação depende do tipo de implante e da avaliação individual. De forma geral:
- Implante contraceptivo: indicado para a maioria das mulheres em idade reprodutiva, inclusive nulíparas e durante a amamentação
- Implantes de reposição hormonal: avaliados caso a caso, conforme sintomas, idade e perfil de saúde
O implante é contraindicado em situações como gravidez, câncer hormônio-dependente, doença hepática grave, trombose ativa e sangramento vaginal sem diagnóstico. A avaliação médica criteriosa é indispensável antes de qualquer indicação.
9. Mitos e Verdades Sobre o Implante Hormonal
Em torno do implante hormonal circulam muitas informações equivocadas. Vamos esclarecer os principais mitos e verdades com base na ciência:
“O implante hormonal causa infertilidade” — MITO
A fertilidade retorna rapidamente após a retirada do implante. Ele não causa infertilidade nem dificulta gestações futuras.
“O implante hormonal serve para emagrecer” — MITO
Nenhum implante hormonal tem indicação para emagrecimento. Usar hormônios para esse fim é perigoso e sem respaldo científico.
“O implante hormonal é mais eficaz que a pílula” — VERDADE
O implante contraceptivo não depende do uso diário, eliminando o risco de esquecimento. Por isso, na prática, é mais eficaz que a pílula.
“Todo implante hormonal é igual” — MITO
Existem diferenças importantes entre silástico e pellet, e entre os hormônios utilizados. Cada implante hormonal tem indicações e evidências próprias.
“O ‘chip da beleza’ é seguro e aprovado” — MITO
O uso de implantes de gestrinona ou testosterona para fins estéticos não é recomendado pelas sociedades médicas e pode causar efeitos adversos importantes.
“O implante hormonal pode alterar a menstruação” — VERDADE
Alterações no padrão menstrual são esperadas, especialmente com o implante contraceptivo — desde ausência de menstruação até sangramento irregular.
Perguntas Frequentes sobre Implante Hormonal
Reunimos as dúvidas mais buscadas sobre implantes hormonais. Se a sua não estiver aqui, entre em contato com o consultório.
O implante hormonal engorda?
O ganho de peso é um efeito relatado por algumas usuárias, principalmente com implantes de progesterona. No entanto, os estudos não demonstram de forma consistente uma relação direta de causa e efeito. Mudanças de peso podem ter múltiplas causas. Cada organismo responde de forma diferente — o acompanhamento médico ajuda a avaliar.
Quanto tempo dura o implante hormonal?
Depende do tipo. O implante contraceptivo implanon dura cerca de 3 anos. Os pellets duram em média de 3 a 6 meses, pois se dissolvem. Implantes silásticos manipulados variam conforme a composição.
O implante hormonal protege contra ISTs?
Não. Nenhum implante hormonal protege contra infecções sexualmente transmissíveis. O preservativo continua indispensável para essa proteção.
Implante hormonal corta a menstruação?
Pode sim. O implante contraceptivo implanon frequentemente altera o padrão menstrual — algumas mulheres ficam sem menstruar, outras têm sangramento irregular. É um efeito esperado e geralmente sem prejuízo à saúde.
O implante hormonal é o mesmo que o “chip da beleza”?
O chamado “chip da beleza” geralmente se refere a implantes de gestrinona ou testosterona usados para fins estéticos ou de performance física. Esse uso não é recomendado pelas sociedades médicas e pode trazer riscos. Implante hormonal é medicamento e deve ter indicação médica criteriosa — nunca finalidade puramente estética.
Posso engravidar usando o implante contraceptivo?
O implanon tem eficácia superior a 99%, sendo um dos métodos mais seguros. Falhas são raríssimas. Após a remoção, a fertilidade retorna rapidamente.
O implante de testosterona é seguro para mulheres?
A reposição de testosterona pode beneficiar mulheres com desejo sexual hipoativo, mas deve ser feita com dose controlada e acompanhamento rigoroso. As diretrizes preferem formulações com dose ajustável. Os pellets, por não permitirem ajuste após a inserção, exigem cautela e monitoramento dos níveis hormonais.
Qual a diferença entre o implante e o DIU hormonal?
O implante fica sob a pele (braço) e libera hormônio na corrente sanguínea. O DIU hormonal fica dentro do útero e age localmente. Ambos são métodos de longa duração e alta eficácia. Saiba mais sobre o DIU.
Quanto tempo leva para engravidar após retirar o implante?
A fertilidade retorna rapidamente após a remoção do implante contraceptivo. Muitas mulheres voltam a ovular já no primeiro ciclo seguinte. O implante não deixa resíduos hormonais prolongados nem atrasa o retorno da fertilidade.
Posso praticar atividade física com o implante hormonal?
Sim. O implante hormonal não limita a prática de exercícios. No caso do implante de braço, recomenda-se evitar esforço intenso com o membro nas primeiras 24 a 48 horas após a inserção, apenas para favorecer a cicatrização local. Depois disso, a atividade física é totalmente liberada.
Quanto tempo o implante hormonal leva para começar a fazer efeito?
Depende do momento da inserção. Se o implante contraceptivo for inserido nos primeiros 5 dias do ciclo menstrual, o efeito é imediato. Fora desse período, recomenda-se usar um método adicional (como preservativo) por 7 dias até que a proteção esteja completa.
Conclusão
O implante hormonal — seja silástico ou pellet — é uma ferramenta valiosa da ginecologia moderna, com aplicações que vão da contracepção altamente eficaz ao controle de sintomas hormonais.
No entanto, cada tipo tem características, indicações e níveis de evidência científica diferentes. O implante contraceptivo Implanon tem respaldo robusto; já os pellets manipulados exigem mais cautela e acompanhamento rigoroso.
A decisão deve ser sempre individualizada e médica. Não existe método perfeito para todas — existe o método ideal para você, definido em conjunto com um ginecologista de confiança.
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Referências
• FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Anticoncepção de Longa Duração (LARC), 2022.
• Davis SR, et al. Global Consensus Position Statement on the Use of Testosterone Therapy for Women. Climacteric. 2019;22(5):429-434.
• Islam RM, et al. Safety and efficacy of testosterone for women: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trial data. Lancet Diabetes Endocrinol. 2019;7(10):754-766.
• Wender MCO, et al. Compounded hormonal pellets: a critical review of current evidence and risks. Rev Assoc Med Bras. 2025;71. DOI:10.1590/1806-9282.20250121.
• Bahamondes L, et al. A 3-year multicentre randomized controlled trial of implanon- and levonorgestrel-releasing contraceptive implants. Hum Reprod. 2015;30:2527-2538.
• Coutinho EM, et al. Coletânea de Artigos – Uso Terapêutico dos Implantes Hormonais. 3ª ed. Salvador: Elmeco, 2021.