
O guia completo sobre o Dispositivo Intrauterino — o método contraceptivo de longa duração mais eficaz disponível
O DIU (Dispositivo Intrauterino) é um dos métodos contraceptivos mais eficazes, seguros e reversíveis disponíveis atualmente. Mesmo assim, ainda é cercado de muitos mitos e dúvidas que impedem mulheres de considerá-lo como opção.
Se você já ouviu que o DIU dói muito para colocar, que não pode ser usado por quem não teve filhos ou que ele causa infecção, este artigo vai esclarecer tudo isso — com base nas diretrizes da FEBRASGO, OMS, ACOG e FIGO.
Aqui você vai entender o que é o DIU, quais os tipos disponíveis, como é inserido, quem pode usar e o que esperar no dia a dia com ele.
Conheça o Dr. Stéfano Adorno

Dr. Stéfano Adorno — ginecologista especialista em contracepção e implantes hormonais
O Dr. Stéfano Adorno é ginecologista especialista em contracepção, cirurgia minimamente invasiva e em implantes hormonais. Atende em Manaus (AM) e realiza Teleconsultas.
Formado pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em 2011 e especialista em Ginecologia pela Maternidade Ana Braga (MAB) em 2018. Apresenta larga experiência em implantes hormonais e inserção de DIU.
CRM-AM 7447 • RQE 4424 (Ginecologia) • RQE 4521 (Cirurgia Ginecológica)
1. O Que é o DIU?
O DIU é um pequeno dispositivo inserido dentro da cavidade uterina por um médico ginecologista. Seu formato permite que ele se posicione naturalmente no interior do útero, onde age impedindo a gravidez.
É considerado um método LARC — Long-Acting Reversible Contraception (contracepção reversível de longa duração) — por ser altamente eficaz, durar vários anos e ser completamente reversível: basta removê-lo para que a fertilidade retorne rapidamente.
Segundo a OMS e a FEBRASGO, o DIU é um dos métodos contraceptivos mais seguros e eficazes disponíveis, com taxa de falha inferior a 1% ao ano — muito menor do que a da pílula anticoncepcional usada de forma comum.

Dispositivo Intra Uterino (DIU) em visão 3D
2. Quais São os Tipos de DIU?
Existem dois grandes grupos de DIU disponíveis no Brasil:

DIU hormonal (Mirena) e DIU de cobre — os dois principais tipos disponíveis no Brasil
DIU de Cobre (Não Hormonal)
O DIU de cobre é feito de plástico com fios de cobre enrolados ao redor. O cobre age como um espermicida natural — cria um ambiente “tóxico” para os espermatozoides, impedindo que cheguem ao óvulo.
- Duração: até 10 anos;
- Eficácia: mais de 99,2%;
- Hormônios: nenhum — ideal para quem não pode ou não quer usar hormônios;
- Menstruação: pode aumentar o fluxo e as cólicas nos primeiros meses;
- Contracepção de emergência: quando inserido em até 5 dias após relação desprotegida, tem eficácia superior a 99%;

DIU de cobre — método não hormonal com duração de até 10 anos
DIU Hormonal (Mirena e Kyleena)
O DIU hormonal libera localmente uma pequena quantidade de levonorgestrel (um progestogênio) diariamente. Age espessando o muco cervical, inibindo a movimentação dos espermatozoides e tornando o endométrio desfavorável à implantação.
- Mirena: maior concentração hormonal — duração de até 8 anos. Reduz significativamente o fluxo menstrual, podendo causar amenorreia (ausência de menstruação) em até 50% das usuárias após 1 ano;
- Kyleena: menor concentração — indicado especialmente para mulheres que nunca engravidaram. Duração de até 5 anos
- Eficácia: superior a 99,8%;
- Bônus terapêutico: indicado no tratamento de endometriose, adenomiose, miomas e sangramento uterino intenso;

DIU hormonal — libera levonorgestrel localmente com mínima absorção sistêmica
Mini DIU (DIU para Nulíparas)
Desenvolvido especialmente para mulheres que nunca tiveram filhos (nulíparas), o Mini DIU tem dimensões reduzidas para facilitar a inserção em úteros menores. Disponível nas versões de cobre e hormonal.

Mini DIU — desenvolvido para mulheres que nunca tiveram filhos, com dimensões reduzidas
3. Como é a Inserção do DIU?
A inserção do DIU é um procedimento ambulatorial, realizado no consultório pelo ginecologista. Dura em média 5 a 10 minutos.
O passo a passo:
- A paciente é posicionada como em um exame ginecológico comum;
- O médico introduz um espéculo vaginal para visualizar o colo do útero;
- O colo é higienizado e, quando necessário, anestesiado localmente;
- Um fino instrumento (histerômetro) mede o comprimento do útero;
- O DIU é inserido pelo canal cervical até a cavidade uterina por meio de um aplicador fino;
- Os fios do DIU são aparados e ficam discretamente no colo do útero;
Após a inserção, é recomendado repouso relativo por algumas horas. Cólica leve é esperada no dia do procedimento e pode persistir por 1 a 2 dias.
Em casos de colo muito fechado, a histeroscopia pode facilitar a inserção com maior conforto e segurança. Saiba mais em histeroscopia: o que é e como funciona.

Ilustração do DIU posicionado dentro do útero — o formato em T se adapta à cavidade uterina
4. Quem Pode Usar o DIU?
Ao contrário do que muita gente acredita, o DIU pode ser usado por uma ampla variedade de mulheres:
- Mulheres que nunca tiveram filhos (nulíparas): sim, podem usar — com o Mini DIU ou DIU convencional;
- Adolescentes: a FEBRASGO e a OMS recomendam o DIU como opção segura para adolescentes;
- Mulheres no pós-parto: pode ser inserido logo após o parto (até 48h) ou a partir de 4 semanas;
- Mulheres amamentando: o DIU de cobre e o hormonal são compatíveis com a amamentação;
- Mulheres com histórico de cirurgia uterina: avaliação individualizada pelo médico;
- Mulheres com endometriose ou miomas: o DIU hormonal (Mirena) é uma das principais indicações terapêuticas;
O DIU é contraindicado em situações como: gravidez, infecção uterina ativa, malformação uterina grave que impeça a inserção ou sangramento uterino sem diagnóstico. O médico avaliará cada caso individualmente.
Ficou com dúvida se o DIU é indicado para você? Converse com um ginecologista.
5. Vantagens do DIU em Relação a Outros Métodos
O DIU oferece vantagens importantes em relação à pílula e outros métodos:
- Alta eficácia: superior a 99,2% — não depende de uso diário correto;
- Longa duração: de 8 a 10 anos, conforme o tipo escolhido;
- Reversibilidade imediata: a fertilidade retorna rapidamente após a retirada;
- Sem esquecimento: não exige uso diário nem prescrição mensal;
- Opção não hormonal: o DIU de cobre é ideal para quem não pode ou não quer hormônios;
- Custo-benefício: o valor inicial é maior, mas diluído ao longo dos anos é muito mais econômico que a pílula;
- Benefício terapêutico: o DIU hormonal pode ser indicado no tratamento de endometriose, adenomiose e sangramento intenso — além de contracepção;
6. Dói Para Colocar o DIU?
Essa é a dúvida mais frequente. A resposta honesta: varia de mulher para mulher.
A maioria das mulheres sente uma cólica moderada durante e logo após a inserção, semelhante à cólica menstrual intensa. O desconforto costuma durar minutos e melhora rapidamente.
Para tornar o procedimento mais confortável, o médico pode:
- Aplicar anestesia local no colo do útero;
- Prescrever analgésico ou anti-inflamatório antes do procedimento;
- Utilizar misoprostol para amolecer o colo (em nulíparas) e histórico de estenose (colo fechado);
- Realizar a inserção por histeroscopia, com sedação;
Após o procedimento, cólica leve e pequeno sangramento por 1 a 3 dias são normais e esperados.
7. O DIU Causa Infecção?
Este é um dos maiores mitos sobre o DIU. A resposta é: não, quando inserido por um profissional habilitado em condições adequadas de assepsia.
O risco de infecção associada ao DIU é baixo e restrito às primeiras 3 semanas após a inserção — período em que o colo do útero ainda está em processo de fechamento. Após esse período, o risco é semelhante ao de mulheres sem DIU.
O DIU não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O preservativo continua sendo indispensável para proteção contra ISTs, especialmente em relacionamentos não mutuamente monogâmicos.
8. DIU e Fertilidade: Posso Engravidar Depois?
Sim — a fertilidade retorna rapidamente após a retirada do DIU, independentemente do tipo.
Estudos mostram que a maioria das mulheres ovula normalmente já no primeiro ciclo após a retirada do DIU hormonal. Com o DIU de cobre, a fertilidade retorna imediatamente após a remoção.
O DIU não compromete a fertilidade futura — não causa infertilidade, nem dificulta futuras gestações. Este é mais um mito sem respaldo científico.
Para casais com dificuldade para engravidar, a investigação da cavidade uterina por histeroscopia pode ser indicada antes de tentativas de reprodução assistida.
Perguntas Frequentes sobre o DIU
Reunimos as dúvidas mais buscadas sobre o DIU. Se a sua não estiver aqui, entre em contato com o consultório.
DIU pode ser usado por quem nunca teve filhos?
Sim. A OMS, FEBRASGO e ACOG recomendam o DIU como opção segura para nulíparas. O Mini DIU foi desenvolvido justamente para esse perfil, com dimensões menores para maior conforto na inserção.
Quanto tempo leva para o DIU fazer efeito?
O DIU de cobre tem efeito imediato — já protege na hora da inserção. O DIU hormonal tem efeito imediato se inserido nos primeiros 7 dias do ciclo menstrual; caso contrário, recomenda-se usar método adicional por 7 dias.
O DIU some dentro do corpo?
Não. O DIU possui fios guia que ficam no colo do útero e podem ser palpados pela própria mulher. Em caso de dúvida, o ultrassom confirma o posicionamento correto. O DIU não migra para outros órgãos.
DIU hormonal engorda?
A ação do DIU hormonal é predominantemente local — a absorção sistêmica do levonorgestrel é mínima. Estudos controlados não demonstram ganho de peso significativo atribuível ao DIU hormonal. Mudanças de peso relatadas geralmente têm outras causas.
Posso sentir o DIU durante a relação sexual?
Em geral, não. O DIU fica dentro do útero e não é percebido durante a relação sexual. Os fios do DIU são macios e ficam discretos no colo. Em casos raros, o parceiro pode perceber os fios — nesse caso, o médico pode aparar um pouco mais.
DIU pode sair sozinho?
A expulsão espontânea do DIU é incomum — ocorre em 2 a 10% dos casos, mais frequentemente nos primeiros meses após a inserção. Por isso, recomenda-se uma ultrassonografia de controle após a primeira ou segunda menstruação para confirmar o posicionamento.
O DIU de cobre pode ser usado como anticoncepcional de emergência?
Sim. O DIU de cobre inserido em até 5 dias após uma relação desprotegida é o método de contracepção de emergência mais eficaz disponível — com eficácia superior a 99%. Além disso, segue protegendo por até 10 anos.
DIU hormonal para quem tem adenomiose e endometriose?
O DIU hormonal (Mirena) é uma das principais opções terapêuticas para endometriose e adenomiose — reduz o fluxo menstrual, alivia a dor e ajuda suprimir o crescimento do tecido endometriótico. É frequentemente indicado como alternativa cirúrgica ou como complemento ao tratamento.
Preciso tirar o DIU para fazer histeroscopia?
Depende da indicação. Em alguns casos, a histeroscopia é realizada justamente para avaliar ou remover um DIU mal posicionado, calcificado ou de difícil localização. Em outros casos, o DIU é retirado antes do procedimento. Seu médico orientará o melhor caminho. Saiba mais em histeroscopia: o que é e como funciona.
Conclusão
O DIU é um método contraceptivo moderno, EXTREMAMENTE seguro, eficaz e reversível — adequado para a grande maioria das mulheres, independentemente de já terem tido filhos ou não.
Se você ainda tem dúvidas sobre qual método é mais adequado para o seu perfil, consulte um ginecologista de confiança. A escolha do contraceptivo ideal é uma decisão personalizada, que leva em conta sua saúde, rotina, objetivos reprodutivos e preferências.
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- Histeroscopia: o que é e como funciona
- Como escolher um bom médico
- 7 dicas para uma boa cirurgia

Referências
• FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. DIU: Protocolo Assistencial, 2022.
• World Health Organization (WHO). Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, 5th ed. Geneva: WHO, 2015.
• American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Long-Acting Reversible Contraception: Implants and Intrauterine Devices. Practice Bulletin No. 186, 2017.
• FIGO – International Federation of Gynecology and Obstetrics. Contraception Guidelines, 2020.